Textos

Homossexualidade e o espiritismo

Autor: Sergio F. Aleixo

O espiritismo não trata de orientações sexuais para além da heterossexualidade, nem poderia; à época de sua formulação, os limites das ciências ainda bem estreitos eram para tanto. Kardec, porém, chegou a ensaiar instigante tese no artigo inaugural da sua Revista de jan/1866. Disse o mestre que o espírito se ressentiria da injunção do organismo, o que, segundo ele, poderia modificar o caráter, por conta da submissão às exigências do estado de encarnação. Essa influência não desapareceria logo após a morte; a alma não perderia, pois, instantaneamente, a despeito de já livre, seus gostos e hábitos terrenos. É assim que sucessivas encarnações num mesmo sexo poderiam levá-la a fixar caráter masculino ou feminino, cuja marca nela ficaria impressa. Só depois de atingir certo grau de adiantamento, a repercussão da matéria no espírito desapareceria e, se assim posso dizer, também essa sexualidade periférica, pois o espírito, em si, não teria sexo algum, donde encarnar normalmente em ambas as polaridades a fim de lhes depreender aprendizados. Se a rota dessa influência segue do corpo à alma, o mesmo se verificaria da alma ao corpo. Desse modo, o caráter e as inclinações dos espíritos, quando encarnados, viriam a constituir os homens e as mulheres, avançados ou atrasados; razão pela qual concluiu Kardec: “Mudando de sexo, sob essa impressão e em sua nova encarnação, poderá conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres”.

Essa tese não chegou a ser submetida ao ensino geral dos espíritos. O que, no entanto, esse ensino consigna é que a encarnação se verifica nos dois gêneros para que o espírito possa auferir-lhes a síntese de experiências. Nosso condicionamento cultural, todavia, tem aposto o selo da normalidade nesta via exclusiva de mão dupla para a libido: homens a mulheres e vice-versa. Ora; Kardec chama o que disso se afasta de anomalia, é verdade; contudo anomalia aparente. E por quê? Ele mesmo já o dissera. O espírito pode conservar gostos, inclinações e caráter do sexo que haja ocupado por vidas a fio e, assim, manifestá-los a despeito de nova e inversa condição física. Isso, para Kardec, nada mais é que efeito esperado e, portanto, aparentemente anômalo, porque corresponderia, na natureza, apenas a mais um entre tantos nexos causais, cujo desvelo o mestre enxergou, de novo, no mais determinante motor de seu pensamento filosófico, quase ausente nos espíritas anglo-americanos: a reencarnação. Presumível consequência, então, do histórico da causalidade espiritual. Tão só. Dessarte, Kardec não condena a homoafetividade; tenta explicá-la. Nada lhe recomenda, por sinal, que já não o faça a todo o gênero humano: desmaterialização dos hábitos, moderação dos apetites grosseiros. Reprovar a homoafetividade? Forçar Kardec a reprová-la? Nem uma coisa nem outra. Fraternalmente, amemo-nos uns aos outros, sem distinção. A sensibilidade ética que sempre mais nos eleva, pelo senso de justiça e compaixão que possamos vivenciar conforme Jesus: eis o que importa.

Sergio F. Aleixo


O bom professor é aquele que sabe fazer perguntas

Autor: Marli Albertina

      Boas perguntas são as que estimulam nossa capacidade de reflexão, revelando nossas dúvidas, mas, sobretudo, nossa vontade de aprender. Não nos referimos à dúvida que nos deixa ao desalento, mas sim à que nos transforma. Hippolyte Léon Denizard Rivail, influente educador e discípulo de Pestallozzi, sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador do Espiritismo. Na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, a primeira obra da Doutrina Espírita, utilizou-se da técnica de perguntas, didaticamente organizadas e respondidas por uma equipe de Espíritos Superiores.

Jesus, o Mestre por excelência, utilizou-se, entre outras, da técnica de perguntas. Quando procurado, por exemplo, por cegos e aleijados, perguntava “O que queres que eu faça?” Será que o motivo não era óbvio? Por que Jesus a fazia então? O objetivo era levar o indivíduo a refletir sobre seu desejo, as consequências e responsabilidade advindas do atendimento ao seu pedido, a importância de efetivamente envolver-se no seu processo de cura.

Da mesma forma, após as explanações, os discípulos formulavam perguntas: Mestre, quantas vezes devemos perdoar?” As respostas de Jesus tinham como proposta não só a reflexão, mas, sobretudo, levá-los a perceber a necessidade de mudança, de reforma íntima, preparando cada um de seus seguidores para a responsabilidade na divulgação da Boa
Nova, não só por meio de palavras e discursos, mas primordialmente pelo exemplo e vivência dos ensinamentos do Mestre.

E na atualidade, em meio a tantas conturbações? Diante dos fatos a que assistimos estarrecidos? Parece estarmos desistindo de ser pessoas boas. O egoísmo e o orgulho alastraram-se. O mundo virou o mundo dos espertos, que agem, muitas vezes, com o aplauso de multidões. O importante é ter. Ser honesto, ser bom, ser fraterno parece sinônimo de ser tolo. É importante lembrar que a felicidade não está no que acumulamos, mas no que compartilhamos.

Solidão, tédio, amargura e rancor resultam do predomínio em nós do orgulho, do egoísmo, da vaidade, da avareza, da ausência do perdão. Bons sentimentos, virtudes como perdão, fraternidade e tantas outras precisam substituir os vícios. Não é fácil. É uma questão de exercício e a prece é excelente recurso que nos fortalece diante das adversidades. É preciso perceber a dificuldade e a crise como oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento do nosso potencial de inteligência e bondade.

Por que então ser bom? Quando analisamos sob a ótica espiritual, como espíritos imortais, filhos de Deus, suprema inteligência e bondade, percebemos que a justificativa da bondade está em nós. Homem de Bem somos nós, é a nossa essência, se considerarmos nossa filiação divina e Jesus como modelo e guia.

Lembremo-nos do convite de Jesus, formulado em João, 15: “Este é o meu mandamento: que ameis uns aos outros como eu vos amei”.                                                                 

Marli Albertina

 


As guerras e o mundo espiritual

Autor: João Fontoura

Muitas vezes o tema desperta interesse em pessoas cuja história pessoal ou familiar não tem qualquer passagem por guerras. No entanto, se pararmos para refletir, talvez identifiquemos, em nós mesmos, atitudes “belicosas” em relação a situações ou pessoas, na forma como lidamos com elas ou com […] Leia mais


A boa nova

Autor: Luiz Fernando Lopes

O significado de Boa Nova é notícia rica, notícia feliz, notícia alegre, novidade fortunosa que Jesus legou à humanidade por meio de seus ensinamentos para libertar os homens das aflições e padecimentos físicos e morais. A mensagem de Jesus, apesar de sua origem divina, sempre deve ser levada em conta no contexto histórico, social, cultural, econômico e religioso em que viviam os judeus. É fundamental destacar que Jesus era judeu e fiel seguidor dos preceitos divinos emanados da religião judaica. Não fundou nenhuma religião, […] Leia mais


Já não há crianças

Autor: Vicente Oliveira

“Le Journal”, assim como a grande imprensa parisiense, ordinariamente tão céptica, no final do século 19, encerra assim uma de suas matérias: “Miguel Ângelo ainda não acabara de usar seus primeiros calções e seu mestre Ghirlandajo despedia-o do atelier porque ele não tinha mais nada a aprender. Aos 2 anos, Henri de Heinecken falava três línguas. Aos 4, Batista Raisin mostrava, […] Leia mais


Recomecemos

Autor: Emmanuel

“Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho”
Jesus (Mateus 9:16.)

Não conserves lembranças amargas.
Viste o sonho desfeito.
Escutaste a resposta de fel. […] Leia mais


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Os males deste mundo estão em razão direta das necessidades fictícias que criais para vós mesmos.

— Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Questão 926